A VIOLÊNCIA NAS ESCOLAS
Luiz Carlos de Freitas
professor de história
Do rio que tudo arrasta, diz-se que é violento.
Mas ninguém chama violentas às margens que o comprimem.
Bertolt Brecht
Não é raro, hoje em dia, assistirmos nos noticiários, lermos em jornais ou revistas e até mesmo presenciarmos cenas de violência dentro das escolas. Nossa primeira reação é de indignação contra o indivíduo agressor, haja vista que principalmente na televisão, não nos é dado informações mais abrangentes e nem tempo para que consigamos formular uma interpretação mais aproximada da realidade do fato ocorrido. No caso da imprensa escrita, apesar de nos deixar mais livres para refletirmos em um espaço de tempo que, em tese, pode ser definido por nós mesmos e trazer uma quantidade maior de informações, também não nos permite ir além dos limites impostos pela ideologia capitalista, segundo a qual, o indivíduo é o único responsável pelos seus atos. Quando muito nos fazem pensar que se mudarmos os políticos, através do voto consciente, colocando no poder aqueles que se preocupam com a educação, mudaremos a situação.
A grande questão que precisamos refletir, e que, a grande mídia não nos proporciona elementos teóricos para isso, é sobre a origem da violência para então, compreendermos suas diversas manifestações. Para compreendermos esta questão é preciso definirmos, primeiramente, o que é a violência.
A frase de Brecht , na epígrafe desta página nos apresenta uma mostra de quão difícil é perceber a sutileza da violência institucional, provocadora das mais variadas formas de violência com as quais nos defrontamos em nossa sociedade e em nossas escolas. Estas formas de violência, apresentados pela mídia e presentes em nosso dia a dia , nas ruas, bairros e escolas onde trabalhamos, são apenas as águas do rio, cuja as margens cada vez mais diminuem seu espaço, tornando-as mais agressivas.
Numa pequena volta por qualquer cidade de médio e grande porte em nosso país, podemos observar dezenas ou centenas de pessoas que muitas vezes são invisíveis para nós. Catadores de lixo, moradores de rua, pedintes, drogados, deficientes, entre outros, tornam-se cada vez mais comum em nossa sociedade. Além desses temos também os que trabalham na informalidade ou com carteira assinada, porém, com o que ganham não conseguem garantir uma vida digna para si e para suas famílias. São os filhos e filhas deste grupo que recebemos diariamente nas escolas públicas de nosso país, são também eles que, convivendo com a violência na sociedade, a reproduzem no interior das escolas. Aqui não estamos dizendo que todos os estudantes oriundos da classe pobre, que estão nas escolas públicas, sejam pessoas violentas, apenas estamos tentando demonstrar que o problema da violência escapa a qualquer solução que não leve em consideração a questão social. Neste sentido podemos afirmar que a violência não é, de fato, apenas o que nos apresenta a mídia ou até mesmo o que vemos em nosso dia a dia. Ela é muito maior que isso, ela está intrincada no sistema divisor entre capital e trabalho, colocando a maioria do povo em condição de semi-escravidão
Nesta direção entendemos que o modelo econômico, político e social no qual estamos inseridos têm, em sua essência, a violência institucionalizada, legalizada. O Estado capitalista é o braço político, cuja finalidade é manter funcionando o modo de produção. Este modo de produção tem como finalidade a garantia infinita de lucros para a classe detentora do capital que, por sua vez, também domina o poder político. Em decorrência desta questão podemos então nos perguntar: Seria possível acabar com a violência, combatendo o indivíduo que a comete? E qual o papel que a escola pode desempenhar nesta questão? Considerando que todos os dias, desde a hora em que se levanta, o povo pobre, trabalhador, é violentado pelo sistema capitalista, começando com a violência de um transporte coletivo de péssima qualidade, passando pela violência de trabalhar várias horas por dia sabendo que ao final do mês não receberá um salário decente que garanta sua qualidade de vida, sem contar da violência cometida por patrões ou chefes que assediam moralmente seus subordinados. Se ficar doente, mais uma vez é violentado por um serviço de saúde de má qualidade; quando volta para casa, mais uma vez a violência do transporte lotado e ao chegar em casa, se sobrar tempo, ainda será violentado pela televisão que o coloca como fracassado, por não ter estudado e vencido na vida.
Diante de tanta violência contra os trabalhadores, como esperar algo diferente dentro de nossas escolas se são estes mesmos trabalhadores ou os filhos destes que irão freqüentar por algumas horas uma sala de aula? Cabe lembrar ainda a violência presente nas condições de trabalho nas escolas, tais como, salas super lotadas, profissionais mal remunerados, desmotivados, sem muitas alternativas pedagógicas e sem tempo para estudar e preparar suas aulas. Somos todos vítimas, professores e alunos, dentro de um mesmo barco que está afundando.
Levando em consideração a dimensão do problema da violência nas escolas percebemos nossa impotência, enquanto educadores, em resolver tal situação. Portanto cabe a nós, primeiramente, ter a clareza, de que o problema é da sociedade e não da escola. Daí que, se não solucionarmos os problemas sociais não teremos condições de realizar nossa tarefa principal que é a transmissão do conhecimento científico, historicamente acumulado pela humanidade. Solucionar os problemas sociais passa pela necessidade de mudança no tipo de economia que vivemos, isto é, é preciso mudar a lógica da produção atual que objetiva exclusivamente a garantia dos lucros para um pequeno grupo, para um tipo de economia planificada, cuja produção é pensada para garantir o suprimento das necessidades de todos os seres humanos. Tal mudança só poderá ocorrer com uma revolução que tire o poder político das mãos da classe burguesa, passando-o para os trabalhadores, pois são estes os que de fato necessitam da mudança estrutural do modo de produção e os que mais sofrem no atual tipo de organização social.
Por outro lado é preciso levar em consideração que, embora não haja solução para o problema da violência nas escolas sem a mudança radical da sociedade, precisamos buscar formas de conviver com ele. Conviver com o problema não significa aceita-lo, mas buscar formas de combates que condigam com a especificidade do trabalho pedagógico. Não cabe em uma escola, por exemplo, a interferência policial para combater a violência, haja vista ser esta uma instituição autorizada pelo Estado a usar da violência em qualquer ação. Violência não se combate com mais violência.
Para finalizar nossa reflexão, voltemos à frase de Brecht e busquemos pensar mais sobre as margens do rio. Tentar estancar a água sem alargar as margens certamente será em vão, pois a força das águas será superior à nossa e ficaremos impotentes diante dela. Por outro lado se temos clareza de que o problema é provocado pelas margens e não pelas águas, embora não consigamos resolve-lo, ao menos nos aponta algumas possibilidades, dentre elas: 1. Não confundir a vítima da violência com o causador da violência; 2. Não nos culparmos, enquanto educadores, pela impotência diante do problema da violência; 3. Buscar formas alternativas para conviver com o problema da violência no interior das escolas; 4. Discutir seriamente a necessidade de integração em movimentos de educadores que tenham, em seu horizonte, a construção da nova sociedade.
O MOCLATE (Movimento Classista dos Trabalhadores da Educação) surgiu e está se construindo a partir desta perspectiva, ou seja, partindo da realidade concreta vivida em nossas escolas, refletir sobre a possibilidade de mudar esta realidade com a clareza da necessidade de superação do capitalismo pela sociedade socialista. Somente nesta sociedade é que teremos de fato a possibilidade de resolver os problemas sociais, dentre eles a questão da violência.
sábado, 19 de dezembro de 2009
ECOLOGIA
ANALISAR A QUESTÃO ECOLÓGICA E REPENSAR A SOCIEDADE
Rosineide Fabricio
professora de geografia
Vivemos hoje uma grande crise ambiental, são enchentes, secas prolongadas, processos de desertificação de grandes áreas, e muitas outras catástrofes que ocorrem no planeta. A idéia difundida é que esses processos de destruição não escolhem lugar nem pessoas para atingir e que o grande vilão da história é o “homem”. Este “homem”, predador por natureza, que tentam nos fazer acreditar, não possui classe social, pois pode estar em qualquer uma delas, pode ser um burguês que polui os rios com os dejetos de suas indústrias, ou um trabalhador que despossuído de qualquer meio de produção, é obrigado a vender sua força de trabalho por um salário de fome.
Para entendermos com profundidade a questão ecológica, não podemos ficar apenas na aparência, é necessário analisarmos o problema de uma outra dimensão, pois do contrário estaremos sendo enganados pelas falsificações feitas pelos meios de comunicação de massa, que estão a todo tempo com seus programas de ilusões preservacionistas, tentando ocultar os fatos reais, sempre colocando o explorador e o explorado em pé de igualdade na destruição da natureza. Redimensionar a questão significa questionar respostas prontas, entender que é preciso um aprofundamento teórico, para denunciar as verdadeiras causas desse massacre da natureza.
O sistema capitalista imperialista é baseado na espoliação da natureza, cujo objetivo é o lucro a qualquer preço. Como nos lembra Marx “A essência da sociedade burguesa é a acumulação privada de capital”, portanto a natureza neste sistema nada mais é do que uma mercadoria que deve servir aos interesses imediatos e sempre poluidores e devastadores da classe dominante. Embora esse processo seja sempre ocultado, ele não é novo, visto que Engels em sua célebre obra A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, escrita em 1845, já denunciava as péssimas condições de vida dos trabalhadores, sendo que a degradação e a poluição, embora fossem responsabilidade dos patrões, quem sofria na pele eram os operários. Estes submetidos a exaustivas jornadas de trabalho, fazendo com que morressem muito cedo de tanto trabalhar, de fome ou de doenças provocadas pelos dejetos podres que empesteavam os rios e consequentemente as moradias. Numa passagem de seu livro podemos ler a seguinte constatação:
Num destes pátios, precisamente na entrada, na extremidade do corredor coberto, há banheiros sem portas e tão sujos que os habitantes para entrarem ou saírem do pátio tem que atravessar um charco de urina pestilenta e de excrementos que rodeia estes locais; [...] nas margens do curso de água, há várias fábricas de curtumes que empesteiam toda a região com o fedor que emana da decomposição das matérias orgânicas”.
Os ideólogos do capital sempre instrumentalizam o problema ecológico a seu favor com a fórmula mágica travestida de “sustentabilidade”, como se fosse possível equilibrar os interesses do lucro com preservação ambiental. Devemos entender também que não basta preservar o espaço natural como algo contemplativo e preservacionista, que visa apenas separar ainda mais o trabalhador de sua produção.
A luta ecológica não pode estar descolada da luta revolucionária, pois pensar em mudanças radicais é pensar também na construção de uma outra sociedade, que priorize a vida e que tenha como perspectiva histórica a emancipação humana. Para tanto se faz necessário a destruição da propriedade privada dos meios de produção, em especial, no caso brasileiro, do latifúndio que trás a fome, que destrói os solos, que desmata, gerando a seca e várias mazelas destruidoras da vida. A terra deve ser usufruída por quem nela trabalha e dela necessita; que a natureza seja vista e utilizada como um bem coletivo, capaz de suprir as necessidades humanas; que o consumismo, grande culpado da produção de lixo, conseqüências da ostentação e abusos da burguesia, sejam extirpados dando lugar a produção voltada para coletividade.
Diante de todas essas constatações é urgente pensarmos em construir um outro modelo de sociedade, onde a produção seja planejada de acordo com as necessidades do ser humano e não para garantir lucros a uma minoria em detrimento da vida no planeta. Um modelo onde todos o seres humanos desempenhem suas pontencialidades através de seu trabalho, conscientes de que este é necessário para a existência humana e não para garantir mais-valia para certos parasitas da sociedade, como ocorre no capitalismo. Enfim, como já afirmou Engels: uma sociedade que exija “de cada um segundo a suas potencialidades” e que forneça “a cada um segundo as suas necessidades”. Esta é a única maneira de conter os desastres ambientais que vem ocorrendo e que, certamente, levarão à destruição completa do planeta, caso o lucro continue sendo o objetivo único da sociedade.
Ainda que a maioria não perceba ou tente negar, a busca pela preservação ambiental em um sentido amplo de totalidade, passa necessariamente pela construção do socialismo, que se caracteriza histórica e dialeticamente como o único sistema capaz de frear a destruição total da natureza e colocar a ciência e a técnica a serviço da humanidade, como nos lembra as sábias palavras de Rosa Luxemburgo, “Socialismo ou Barbárie!”.
Rosineide Fabricio
professora de geografia
Vivemos hoje uma grande crise ambiental, são enchentes, secas prolongadas, processos de desertificação de grandes áreas, e muitas outras catástrofes que ocorrem no planeta. A idéia difundida é que esses processos de destruição não escolhem lugar nem pessoas para atingir e que o grande vilão da história é o “homem”. Este “homem”, predador por natureza, que tentam nos fazer acreditar, não possui classe social, pois pode estar em qualquer uma delas, pode ser um burguês que polui os rios com os dejetos de suas indústrias, ou um trabalhador que despossuído de qualquer meio de produção, é obrigado a vender sua força de trabalho por um salário de fome.
Para entendermos com profundidade a questão ecológica, não podemos ficar apenas na aparência, é necessário analisarmos o problema de uma outra dimensão, pois do contrário estaremos sendo enganados pelas falsificações feitas pelos meios de comunicação de massa, que estão a todo tempo com seus programas de ilusões preservacionistas, tentando ocultar os fatos reais, sempre colocando o explorador e o explorado em pé de igualdade na destruição da natureza. Redimensionar a questão significa questionar respostas prontas, entender que é preciso um aprofundamento teórico, para denunciar as verdadeiras causas desse massacre da natureza.
O sistema capitalista imperialista é baseado na espoliação da natureza, cujo objetivo é o lucro a qualquer preço. Como nos lembra Marx “A essência da sociedade burguesa é a acumulação privada de capital”, portanto a natureza neste sistema nada mais é do que uma mercadoria que deve servir aos interesses imediatos e sempre poluidores e devastadores da classe dominante. Embora esse processo seja sempre ocultado, ele não é novo, visto que Engels em sua célebre obra A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, escrita em 1845, já denunciava as péssimas condições de vida dos trabalhadores, sendo que a degradação e a poluição, embora fossem responsabilidade dos patrões, quem sofria na pele eram os operários. Estes submetidos a exaustivas jornadas de trabalho, fazendo com que morressem muito cedo de tanto trabalhar, de fome ou de doenças provocadas pelos dejetos podres que empesteavam os rios e consequentemente as moradias. Numa passagem de seu livro podemos ler a seguinte constatação:
Num destes pátios, precisamente na entrada, na extremidade do corredor coberto, há banheiros sem portas e tão sujos que os habitantes para entrarem ou saírem do pátio tem que atravessar um charco de urina pestilenta e de excrementos que rodeia estes locais; [...] nas margens do curso de água, há várias fábricas de curtumes que empesteiam toda a região com o fedor que emana da decomposição das matérias orgânicas”.
Os ideólogos do capital sempre instrumentalizam o problema ecológico a seu favor com a fórmula mágica travestida de “sustentabilidade”, como se fosse possível equilibrar os interesses do lucro com preservação ambiental. Devemos entender também que não basta preservar o espaço natural como algo contemplativo e preservacionista, que visa apenas separar ainda mais o trabalhador de sua produção.
A luta ecológica não pode estar descolada da luta revolucionária, pois pensar em mudanças radicais é pensar também na construção de uma outra sociedade, que priorize a vida e que tenha como perspectiva histórica a emancipação humana. Para tanto se faz necessário a destruição da propriedade privada dos meios de produção, em especial, no caso brasileiro, do latifúndio que trás a fome, que destrói os solos, que desmata, gerando a seca e várias mazelas destruidoras da vida. A terra deve ser usufruída por quem nela trabalha e dela necessita; que a natureza seja vista e utilizada como um bem coletivo, capaz de suprir as necessidades humanas; que o consumismo, grande culpado da produção de lixo, conseqüências da ostentação e abusos da burguesia, sejam extirpados dando lugar a produção voltada para coletividade.
Diante de todas essas constatações é urgente pensarmos em construir um outro modelo de sociedade, onde a produção seja planejada de acordo com as necessidades do ser humano e não para garantir lucros a uma minoria em detrimento da vida no planeta. Um modelo onde todos o seres humanos desempenhem suas pontencialidades através de seu trabalho, conscientes de que este é necessário para a existência humana e não para garantir mais-valia para certos parasitas da sociedade, como ocorre no capitalismo. Enfim, como já afirmou Engels: uma sociedade que exija “de cada um segundo a suas potencialidades” e que forneça “a cada um segundo as suas necessidades”. Esta é a única maneira de conter os desastres ambientais que vem ocorrendo e que, certamente, levarão à destruição completa do planeta, caso o lucro continue sendo o objetivo único da sociedade.
Ainda que a maioria não perceba ou tente negar, a busca pela preservação ambiental em um sentido amplo de totalidade, passa necessariamente pela construção do socialismo, que se caracteriza histórica e dialeticamente como o único sistema capaz de frear a destruição total da natureza e colocar a ciência e a técnica a serviço da humanidade, como nos lembra as sábias palavras de Rosa Luxemburgo, “Socialismo ou Barbárie!”.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Polícia de Cabral reprime protesto de profissionais da educação do Rio de Janeiro.
Desde o dia 04 de setembro, os trabalhadores em educação do Estado do Rio de Janeiro deflagraram uma combativa e vigorosa greve. Esta greve foi iniciada após o governo do estado ter proposto a incorporação do programa Nova Escola (gratificação dada aos profissionais de educação mediante certos critérios, mas que hoje corresponde a grande parte do salário destes profissionais cujo piso salarial é de R$ 584,10) em sete parcelas até 2015. O governo também apontou para a mudança do plano de carreira da categoria, conseguido a duras penas, que atualmente prevê o acréscimo de 12% ao salário a cada mudança de nível (o que ocorre de cinco em cinco anos), pretendendo diminuir este percentual para 7,5%.
Além disto, estes trabalhadores têm denunciado sistematicamente a situação caótica das escolas do estado, com salas superlotadas (turmas de até 50 alunos), falta de democracia nas escolas (diretores indicados), infraestrutura precária, e demais absurdos que são comuns nas escolas brasileiras.
No último dia 08 de setembro, os trabalhadores em educação do estado do Rio pararam a avenida 1º de março, uma das principais avenidas do centro da cidade, onde fica o palácio Tiradentes (sede da Assembléia Legislativa do Estado do Rio), para tentar pressionar os deputados estaduais a vetarem a proposta encaminhada pelo governador Sérgio Cabral, de incorporação do programa Nova Escola e da mudança no plano de carreira. Como sempre, esta polícia que tem se especializado em matar pobres e trabalhadores, usou da habitual truculência contra àqueles que ousam protestar.
Utilizando cassetetes, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo, a polícia tentou dispersar a multidão que ocupava a 1º de março. Entretanto, enfrentaram uma feroz resistência dos trabalhadores em educação. Um PM, que tentava prender um manifestante, se viu cercado pela multidão, que tentava impedir a prisão de um companheiro. Neste momento, sacou de uma pistola, apontando-a em direção aos manifestantes. O saldo da manifestação foi: 13 pessoas feridas, algumas com tiros de bala de borracha, e quatro detidas pela polícia.
Esta é mais uma prova de como o fascista Cabral e trata o povo trabalhador, esteja ele dentro das salas de aula ou nas favelas e bairros pobres do estado. A polícia que mais mata no Brasil (só entre 2007 e 2008 foram mais de 2 mil mortos), só não matou ninguém por obra do acaso. A foto e as imagens, que circularam em toda a imprensa carioca, do PM apontando a sua arma para um grupo de trabalhadores em educação, não nos deixa dúvida disto.
Ontem, dia 10 de setembro, os trabalhadores em educação fizeram mais uma manifestação, desta vez em frente ao Palácio Guanabara (sede do governo do estado), desta vez sem maiores incidentes. Após esta manifestação fizeram um assembléia na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), que decidiu manter a greve até, pelo menos, a próxima terça.
O Cebraspo e o MOCLATE apóiam mais esta demonstração de combatividade dos profissionais de educação do Rio de Janeiro em luta pela melhora do ensino público no estado, repudia mais esta ação repressiva e violenta da Policia Militar do Rio de Janeiro, sob as ordens dos fascistas Cabral e Beltrame.
Exige também, o atendimento completo das reinvidicações dos trabalhadores em educação do estado, tão sacrificados, explorados e humilhados por sucessivas gestões do governo do estado do Rio.
CEBRASPO (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos)
MOCLATE (Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação)
Além disto, estes trabalhadores têm denunciado sistematicamente a situação caótica das escolas do estado, com salas superlotadas (turmas de até 50 alunos), falta de democracia nas escolas (diretores indicados), infraestrutura precária, e demais absurdos que são comuns nas escolas brasileiras.
No último dia 08 de setembro, os trabalhadores em educação do estado do Rio pararam a avenida 1º de março, uma das principais avenidas do centro da cidade, onde fica o palácio Tiradentes (sede da Assembléia Legislativa do Estado do Rio), para tentar pressionar os deputados estaduais a vetarem a proposta encaminhada pelo governador Sérgio Cabral, de incorporação do programa Nova Escola e da mudança no plano de carreira. Como sempre, esta polícia que tem se especializado em matar pobres e trabalhadores, usou da habitual truculência contra àqueles que ousam protestar.
Utilizando cassetetes, spray de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo, a polícia tentou dispersar a multidão que ocupava a 1º de março. Entretanto, enfrentaram uma feroz resistência dos trabalhadores em educação. Um PM, que tentava prender um manifestante, se viu cercado pela multidão, que tentava impedir a prisão de um companheiro. Neste momento, sacou de uma pistola, apontando-a em direção aos manifestantes. O saldo da manifestação foi: 13 pessoas feridas, algumas com tiros de bala de borracha, e quatro detidas pela polícia.
Esta é mais uma prova de como o fascista Cabral e trata o povo trabalhador, esteja ele dentro das salas de aula ou nas favelas e bairros pobres do estado. A polícia que mais mata no Brasil (só entre 2007 e 2008 foram mais de 2 mil mortos), só não matou ninguém por obra do acaso. A foto e as imagens, que circularam em toda a imprensa carioca, do PM apontando a sua arma para um grupo de trabalhadores em educação, não nos deixa dúvida disto.
Ontem, dia 10 de setembro, os trabalhadores em educação fizeram mais uma manifestação, desta vez em frente ao Palácio Guanabara (sede do governo do estado), desta vez sem maiores incidentes. Após esta manifestação fizeram um assembléia na ABI (Associação Brasileira de Imprensa), que decidiu manter a greve até, pelo menos, a próxima terça.
O Cebraspo e o MOCLATE apóiam mais esta demonstração de combatividade dos profissionais de educação do Rio de Janeiro em luta pela melhora do ensino público no estado, repudia mais esta ação repressiva e violenta da Policia Militar do Rio de Janeiro, sob as ordens dos fascistas Cabral e Beltrame.
Exige também, o atendimento completo das reinvidicações dos trabalhadores em educação do estado, tão sacrificados, explorados e humilhados por sucessivas gestões do governo do estado do Rio.
CEBRASPO (Centro Brasileiro de Solidariedade aos Povos)
MOCLATE (Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação)
quarta-feira, 19 de agosto de 2009
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
Manifesto de Foz do Iguaçu
II Encontro Nacional Classista dos Trabalhadores em Educação
Nos dias 12 e 13 de junho de 2009, ocorreu o II Encontro Nacional do Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação – MOCLATE. Com relação ao I encontro, que ocorreu em Curitiba, em novembro de 2008, este II foi marcado, principalmente, pelo avanço nas discussões sobre a relação das questões imediatas com as questões históricas e o papel que deve ser desempenhado pelos trabalhadores da educação para aproximar cada vez mais as lutas econômicas da luta política. Entendemos que a luta econômica é necessária, pois, como diz Marx em a Ideologia alemã: “os homens devem estar em condições de viver para poder ‘fazer história’. Mas, para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, ter habitação, vestir-se e algumas coisas mais”. Diante disto, compreendemos que é necessário levar adiante nossas bandeiras históricas de luta:
· Mais investimento na educação pública estatal em todos os níveis;
· Salário condizente com uma vida digna que satisfaça todas as nossas necessidades básicas
· Mínimo de 50% de hora atividade para os professores prepararem aulas, estudarem, pesquisarem e atender individualmente os alunos;
· Redução significativa de alunos por sala – máximo 8 na educação infantil e 12 para o ensino fundamental e médio;
· Contra o Reuni que aumentará a carga horária e o número de alunos por professor, causando mais sucateamento ao ensino superior;
· Fim do PROUNI e abertura de vagas nas universidades públicas para todos os alunos que concluírem o ensino médio.
Embora tais medidas possam ser taxadas de utópicas por muitos, não é possível melhorar a educação sem elas. As organizações de trabalhadores da educação há muito abandonaram estas bandeiras; a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e a maioria dos sindicatos hoje atuam mais como secretarias ou ministérios do Estado do que como representantes dos trabalhadores. Prova disso é o envolvimento destas organizações com a CONAE (Conferência Nacional de Educação). Para estas entidades a CONAE será a grande conquista de uma educação de qualidade, ou seja, parece que o Estado agora passou a ser aliado dos trabalhadores, que não é mais de classe, que defende os interesses de todos. Será que o Estado realmente mudou? Não vivemos mais em um mundo capitalista cuja função do Estado é proteger a propriedade e os lucros da classe dominante? É possível unificar os interesses dos trabalhadores com os do Estado burguês-latifundiário?
Não esqueçamos que, como já nos provou Marx, o econômico, em última instância é o que determina todas as relações sociais. Partindo disto basta observar o que mudou na economia para ver se realmente o Estado mudou. Tomando como exemplo comparativo os gastos do governo federal em 2008 e a dívida pública, contrastando com os gastos em educação é possível afirmar de fato a serviço de quem o Estado está. Em termos absolutos, enquanto o governo gastou R$ 282,5 bilhões para pagamento da dívida pública, em educação, gastou apenas R$ 23, 7 bilhões. Este valor não ultrapassa 4 % do PIB, em nada diferindo de governos anteriores tão criticados no passado, pelos que hoje estão no governo ou nos sindicatos pelegos comemorando a organização de uma conferência nacional de educação como se esta fosse uma grande conquista histórica para os trabalhadores em educação deste país. Entretanto, conforme demonstramos acima, apesar do discurso em defesa da educação, o investimento nela continua sendo ínfimo, o que demonstra que as propostas para a educação no atual governo não passam de propaganda ideológica, enganosa e politiqueira. Que o Estado faça este jogo não há nada de errado, pois é necessário que ele corrobore no discurso as suas atitudes, mas nos causa indignação ver entidades e pessoas esbravejando na defesa de um governo que, no investimento em educação, não difere dos anteriores. Diante disso, o MOCLATE vem a público denunciar esse descaso, bem como o desvio de bilhões de reais que poderiam ser investidos para melhorar as condições de vida da maioria da população e que estão sendo empregados para salvar bancos e empresas falidas que continuam explorando e espezinhando os trabalhadores.
Educação e crise do capitalismo
A expansão da economia capitalista mundial, puxada pela economia ianque no pós-guerra se esgotou nos anos 1970. A partir daí crises cíclicas sacodem o sistema capitalista mundial em períodos cada vez mais curtos e com impactos cada vez maiores. O crescimento das economias capitalistas centrais é cada vez mais medíocre. A economia ianque que representava metade do PIB mundial no pós-guerra hoje não representa mais que um quarto dele.
No EUA, os salários dos trabalhadores produtivos diretos (que não ocupam cargos de chefia) não têm aumento real desde 1979. Também ocorreu uma forte desindustrialização, com fábricas sendo transferidas para outros países, buscando salários baixos, fontes de energia barata e matérias primas abundantes. Assim, o crescimento econômico da economia neste período foi ilusório, baseado na expansão artificial do crédito e na elevação brutal do déficit público. O estouro da bolha imobiliária, mecanismo de especulação e endividamento da população para financiar seu consumismo, jogou ao chão a economia. O desemprego atinge níveis alarmantes, a população não consegue pagar suas dívidas ou renovar seus créditos. A vertiginosa queda de consumo do EUA está levando ao colapso a produção industrial mundial.
Desde o ano passado, tornou-se ainda mais aguda esta crise, levando milhões de trabalhadores de todas as categorias ainda mais para a miséria, afinal, são estes os primeiros que pagam a conta sempre que o capitalismo sente-se ameaçado. Além disso, a atual crise, não é uma crise qualquer, momentânea, temporária e restrita a alguns países e algumas categorias de trabalhadores. Não é uma crise de “confiança”, de “crédito” e muito menos de uma “incapacidade ou descontrole dos organismos internacionais multilaterais” que não atuaram para controlar a especulação financeira mundial, conforme repete o monopólio de imprensa. Esta é uma crise generalizada e profunda que, a partir do coração do império, espraia-se e atinge a todos os trabalhadores do mundo todo, ainda que de forma desigual, devido à desigual organização social.
Diante da crise, sob pretexto de resolvê-la e de garantir o emprego aos trabalhadores – leia-se de garantir a exploração – a burguesia, através de seus governos, continua a saquear os recursos públicos, a atacar os direitos trabalhistas, relegando milhões de pessoas cada vez mais ao desemprego e à miséria. Os trilhões de dólares torrados pelos governos para “combater a crise” são para concentrar e centralizar ainda mais o capital. As potências se prepararam para a disputa interimperialista, prepararam-se para a guerra.
Os trabalhadores estão sendo cada vez mais atingidos pelo desemprego e pela perda de direitos trabalhistas. No serviço público isto não é diferente. A deterioração dos serviços já há muito tempo tem feito parte do dia-a-dia dos servidores. Aos trabalhadores da educação, também resta a piora de suas condições de trabalho, mais arrocho salarial, terceirizações dos serviços, mais alunos por sala e por professor, escolas cada vez mais sucateadas, etc. As condições de vida destes trabalhadores passam de ruim para pior, as mazelas sociais agravadas por esta crise estouram nas escolas públicas. Não é incomum os casos de violência cada vez mais freqüentes e graves no interior das escolas, professores estressados, deprimidos, sentindo-se impotentes diante dos problemas oriundos da sociedade e que acabam estourando na escola. Se continuarmos neste modelo social de produção (capitalismo) as coisas tendem a piorar cada vez mais. Não adianta querer tapar o sol com a peneira, o fracasso escolar é inerente ao modelo social vigente.
Como vemos, embora estejamos no serviço público e sermos vistos por muitos como pertencentes à classe média, ou coisa do gênero, nossa vida segue dominada pela mesma lei de mercado aplicada para qualquer outra categoria de trabalhadores: reduzir salários e outros benefícios para garantir o máximo de lucro para os capitalistas.
Apesar disso, a poderosa e sofisticada máquina de contra-propaganda da burguesia repete à exaustão que o pior da crise já passou, que poucos meses retomaremos o crescimento. Tudo por manter o trabalhador alienado, para massacrar a opinião pública de que é hora de promover reformas para corrigir rumos, pois, o sistema é bom, insistem seus defensores, basta que se corrijam alguns equívocos e distorções. A burguesia e seus intelectuais e agentes, tentam colocar na cabeça dos trabalhadores a idéia de que “não é possível superar a crise sem crescimento econômico”; que o sistema capitalista é bom e a questão é apenas corrigir alguns erros pontuais, mas sem tocar em sua estrutura, isto é, na propriedade privada e na conseqüente divisão entre capital e trabalho.
Como não poderia ser diferente, para manter o trabalhador alienado, para perpetuar a extração da mais-valia, isto é, para sugar o sangue do trabalhador, não lhes restam outros recursos senão entorpecê-los, investir na sua divisão, fomentar a competição, reforçar o individualismo e alimentar ilusões e fantasias nos processos eleitorais, que não passam de um modelo falido de democracia. Além disso, desviam a atenção do essencial, apresentando algumas “personalidades” como se fossem verdadeiros salvadores, na tentativa de induzir os trabalhadores a acreditar que são estes iluminados que resolverão seus problemas.
Mas os fatos são teimosos e citando novamente, Marx, “o critério de verdade de uma teria é seu desdobramento na prática” e, na prática, o que vemos é a fome, a exploração e opressão empurrando às massas para a luta. Ondas de protesto de trabalhadores sacodem o mundo inteiro. Greves, manifestações, ocupações de fábricas, duros enfrentamentos com a polícia, crescimento de rebeliões populares, incremento da luta anti-imperialista nos mostram a falência do capitalismo.
Para nós do MOCLATE, o imperialismo, atual fase do capitalismo, não se livrará de suas crises, mas também não sucumbirá apenas por elas. Precisa ser derrubado e destruído como modo de produção historicamente superado pela força organizada dos explorados e oprimidos. E qual o papel dos trabalhadores da educação neste processo? Ficar como meros expectadores, repetindo aos alunos que estudem, lutem, batalhem que irão vencer? Ou ir a fundo na teoria científica da sociedade e disputar hegemonia com a ideologia burguesa que afirma ser o individualismo o caminho para vencer na vida?
Os Desafios dos Trabalhadores em educação diante da crise do capitalismo
Das diferentes e sucessivas crises pelas quais os trabalhadores foram passando, já é possível superar ilusões e extrair algumas conclusões:
1. Que de fato o Estado e o Parlamento são meios de a burguesia se locupletar ou seja, “o executivo do Estado moderno não é mais do que um comitê para administrar os negócios coletivos de toda a classe burguesa” (MARX e ENGELS, Manifesto Comunista). Portanto, não dá para continuar acreditando nas ideologias, nas mentiras e nas falsas promessas da classe dominante que aponta o jogo eleitoral como único caminho possível de participação popular. O MOCLATE nega categoricamente o princípio de que as eleições representam um espaço de conquista para os trabalhadores.
2. Que a burguesia só se interessa pelos trabalhadores enquanto estes trabalham e produzem lucros e que só têm trabalho enquanto aumentam o capital, conseqüentemente se não houver pressão, através da organização combativa dos trabalhadores jamais conseguiremos qualquer conquista.
3. Que mesmo quando estamos empregados, ganhando maiores ou menores salários, não deixamos de ser explorados e que, neste sistema, nossa condição sempre será manipulável.
4. Que é preciso fortificar nossa organização classista, continuar erguendo nossas bandeiras históricas de lutas pela sobrevivência tais como: fim da exploração de nosso trabalho, luta pelo direito a estudar, por escolas decentes, por condições de trabalho dignas, por saúde de boa qualidade.
5. Que não podemos jamais nos acomodar, esquecendo que sem um basta final na dominação burguesa, sem destruir e superar essa condição de existência que carece de ilusões para encobrir o vale de lágrimas a que estamos submetidos, jamais conseguiremos viver em paz, gozando nossas vidas para além do trabalho fatigante que praticamos.
Diante de tal realidade e com tais desafios é que estamos nos organizando, precisamos construir a unidade e a identidade de classe. É com este objetivo que estamos construindo o MOCLATE; este é o princípio que nos une e pelo qual lutamos. Nossas metas vão para além dos resultados imediatos. Nossos horizontes confundem-se com a construção e consolidação de uma nova humanidade. Para tanto precisamos nos preparar, intelectualmente e politicamente, não nos iludirmos quanto à facilidade de realizar tamanha tarefa, mas também não nos conformamos em ver a realidade cruel e sangrenta da maioria do povo que sem ter o que comer, onde morar e como trabalhar sequer conseguem chegar à escola. Os que conseguem, na maioria dos casos, não tem vontade e nem motivação para qualquer aprendizado.
Não será normal nem eterna esta condição dos trabalhadores se estes se identificarem enquanto classe e como classe marcharem unidos rumo à destruição desse estado de coisas e à construção de uma nova sociedade. Uma sociedade onde a produção seja socializada e onde não haja nenhum tipo de desigualdade, onde haja condições de se educar e de se construir o novo ser humano, uma sociedade socialista.
Para os trabalhadores a única solução está na sua organização e na sua união. Só assim é possível barrar as privatizações, a corrupção e as reformas, quer sejam elas, a previdenciária, a trabalhista, a sindical, a universitária, ou qualquer outra, que, ao contrário do que propagandeiam, só visam aprofundar ainda mais a dor, o sofrimento e a miséria dos trabalhadores. Como forma de enfrentamento, o MOCLATE:
· apóia a organização e a construção da Greve Geral que unifique todos os trabalhadores e todas as lutas para por fim à sua exploração e sua dominação;
· defende e se coloca a disposição dos trabalhadores em geral para contribuir no debate sobre suas condições de vida, de exploração e sobre a dominação a que estão submetidos;
· busca se organizar defendendo a luta direta dos trabalhadores da educação para as conquistas de seus direitos econômicos;
· dispõe-se também a contribuir com a organização de outras categorias em seus locais de trabalho, nos bairros ou em qualquer outro lugar para enfrentar e destruir o capitalismo, lutando pela construção do socialismo.
Entendemos que a educação, para além de toda ideologia, para além de toda demagogia, deve cumprir com sua função social, qual seja, a de tornar acessível a todos os conhecimentos científicos e a cultura acumulada historicamente; desmistificar as ilusões ideológicas burguesas e possibilitar o acesso tanto aos bens intelectuais quanto aos produtos materiais que os conhecimentos propiciam. Para isso, há que se suprimir toda a influência da classe dominante sobre a educação; há que se construir um projeto de educação que esteja sob o controle da classe que trabalha e produz conhecimentos; Nosso compromisso é desmascarar o oportunismo e trabalhar pela construção da unidade da classe trabalhadora, apontando para a construção de uma nova humanidade.
Foz do Iguaçu, 13 de Junho de 2009
MOCLATE – Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação
CECIPO – Centro de Educação Científica e Popular
Nos dias 12 e 13 de junho de 2009, ocorreu o II Encontro Nacional do Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação – MOCLATE. Com relação ao I encontro, que ocorreu em Curitiba, em novembro de 2008, este II foi marcado, principalmente, pelo avanço nas discussões sobre a relação das questões imediatas com as questões históricas e o papel que deve ser desempenhado pelos trabalhadores da educação para aproximar cada vez mais as lutas econômicas da luta política. Entendemos que a luta econômica é necessária, pois, como diz Marx em a Ideologia alemã: “os homens devem estar em condições de viver para poder ‘fazer história’. Mas, para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, ter habitação, vestir-se e algumas coisas mais”. Diante disto, compreendemos que é necessário levar adiante nossas bandeiras históricas de luta:
· Mais investimento na educação pública estatal em todos os níveis;
· Salário condizente com uma vida digna que satisfaça todas as nossas necessidades básicas
· Mínimo de 50% de hora atividade para os professores prepararem aulas, estudarem, pesquisarem e atender individualmente os alunos;
· Redução significativa de alunos por sala – máximo 8 na educação infantil e 12 para o ensino fundamental e médio;
· Contra o Reuni que aumentará a carga horária e o número de alunos por professor, causando mais sucateamento ao ensino superior;
· Fim do PROUNI e abertura de vagas nas universidades públicas para todos os alunos que concluírem o ensino médio.
Embora tais medidas possam ser taxadas de utópicas por muitos, não é possível melhorar a educação sem elas. As organizações de trabalhadores da educação há muito abandonaram estas bandeiras; a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) e a maioria dos sindicatos hoje atuam mais como secretarias ou ministérios do Estado do que como representantes dos trabalhadores. Prova disso é o envolvimento destas organizações com a CONAE (Conferência Nacional de Educação). Para estas entidades a CONAE será a grande conquista de uma educação de qualidade, ou seja, parece que o Estado agora passou a ser aliado dos trabalhadores, que não é mais de classe, que defende os interesses de todos. Será que o Estado realmente mudou? Não vivemos mais em um mundo capitalista cuja função do Estado é proteger a propriedade e os lucros da classe dominante? É possível unificar os interesses dos trabalhadores com os do Estado burguês-latifundiário?
Não esqueçamos que, como já nos provou Marx, o econômico, em última instância é o que determina todas as relações sociais. Partindo disto basta observar o que mudou na economia para ver se realmente o Estado mudou. Tomando como exemplo comparativo os gastos do governo federal em 2008 e a dívida pública, contrastando com os gastos em educação é possível afirmar de fato a serviço de quem o Estado está. Em termos absolutos, enquanto o governo gastou R$ 282,5 bilhões para pagamento da dívida pública, em educação, gastou apenas R$ 23, 7 bilhões. Este valor não ultrapassa 4 % do PIB, em nada diferindo de governos anteriores tão criticados no passado, pelos que hoje estão no governo ou nos sindicatos pelegos comemorando a organização de uma conferência nacional de educação como se esta fosse uma grande conquista histórica para os trabalhadores em educação deste país. Entretanto, conforme demonstramos acima, apesar do discurso em defesa da educação, o investimento nela continua sendo ínfimo, o que demonstra que as propostas para a educação no atual governo não passam de propaganda ideológica, enganosa e politiqueira. Que o Estado faça este jogo não há nada de errado, pois é necessário que ele corrobore no discurso as suas atitudes, mas nos causa indignação ver entidades e pessoas esbravejando na defesa de um governo que, no investimento em educação, não difere dos anteriores. Diante disso, o MOCLATE vem a público denunciar esse descaso, bem como o desvio de bilhões de reais que poderiam ser investidos para melhorar as condições de vida da maioria da população e que estão sendo empregados para salvar bancos e empresas falidas que continuam explorando e espezinhando os trabalhadores.
Educação e crise do capitalismo
A expansão da economia capitalista mundial, puxada pela economia ianque no pós-guerra se esgotou nos anos 1970. A partir daí crises cíclicas sacodem o sistema capitalista mundial em períodos cada vez mais curtos e com impactos cada vez maiores. O crescimento das economias capitalistas centrais é cada vez mais medíocre. A economia ianque que representava metade do PIB mundial no pós-guerra hoje não representa mais que um quarto dele.
No EUA, os salários dos trabalhadores produtivos diretos (que não ocupam cargos de chefia) não têm aumento real desde 1979. Também ocorreu uma forte desindustrialização, com fábricas sendo transferidas para outros países, buscando salários baixos, fontes de energia barata e matérias primas abundantes. Assim, o crescimento econômico da economia neste período foi ilusório, baseado na expansão artificial do crédito e na elevação brutal do déficit público. O estouro da bolha imobiliária, mecanismo de especulação e endividamento da população para financiar seu consumismo, jogou ao chão a economia. O desemprego atinge níveis alarmantes, a população não consegue pagar suas dívidas ou renovar seus créditos. A vertiginosa queda de consumo do EUA está levando ao colapso a produção industrial mundial.
Desde o ano passado, tornou-se ainda mais aguda esta crise, levando milhões de trabalhadores de todas as categorias ainda mais para a miséria, afinal, são estes os primeiros que pagam a conta sempre que o capitalismo sente-se ameaçado. Além disso, a atual crise, não é uma crise qualquer, momentânea, temporária e restrita a alguns países e algumas categorias de trabalhadores. Não é uma crise de “confiança”, de “crédito” e muito menos de uma “incapacidade ou descontrole dos organismos internacionais multilaterais” que não atuaram para controlar a especulação financeira mundial, conforme repete o monopólio de imprensa. Esta é uma crise generalizada e profunda que, a partir do coração do império, espraia-se e atinge a todos os trabalhadores do mundo todo, ainda que de forma desigual, devido à desigual organização social.
Diante da crise, sob pretexto de resolvê-la e de garantir o emprego aos trabalhadores – leia-se de garantir a exploração – a burguesia, através de seus governos, continua a saquear os recursos públicos, a atacar os direitos trabalhistas, relegando milhões de pessoas cada vez mais ao desemprego e à miséria. Os trilhões de dólares torrados pelos governos para “combater a crise” são para concentrar e centralizar ainda mais o capital. As potências se prepararam para a disputa interimperialista, prepararam-se para a guerra.
Os trabalhadores estão sendo cada vez mais atingidos pelo desemprego e pela perda de direitos trabalhistas. No serviço público isto não é diferente. A deterioração dos serviços já há muito tempo tem feito parte do dia-a-dia dos servidores. Aos trabalhadores da educação, também resta a piora de suas condições de trabalho, mais arrocho salarial, terceirizações dos serviços, mais alunos por sala e por professor, escolas cada vez mais sucateadas, etc. As condições de vida destes trabalhadores passam de ruim para pior, as mazelas sociais agravadas por esta crise estouram nas escolas públicas. Não é incomum os casos de violência cada vez mais freqüentes e graves no interior das escolas, professores estressados, deprimidos, sentindo-se impotentes diante dos problemas oriundos da sociedade e que acabam estourando na escola. Se continuarmos neste modelo social de produção (capitalismo) as coisas tendem a piorar cada vez mais. Não adianta querer tapar o sol com a peneira, o fracasso escolar é inerente ao modelo social vigente.
Como vemos, embora estejamos no serviço público e sermos vistos por muitos como pertencentes à classe média, ou coisa do gênero, nossa vida segue dominada pela mesma lei de mercado aplicada para qualquer outra categoria de trabalhadores: reduzir salários e outros benefícios para garantir o máximo de lucro para os capitalistas.
Apesar disso, a poderosa e sofisticada máquina de contra-propaganda da burguesia repete à exaustão que o pior da crise já passou, que poucos meses retomaremos o crescimento. Tudo por manter o trabalhador alienado, para massacrar a opinião pública de que é hora de promover reformas para corrigir rumos, pois, o sistema é bom, insistem seus defensores, basta que se corrijam alguns equívocos e distorções. A burguesia e seus intelectuais e agentes, tentam colocar na cabeça dos trabalhadores a idéia de que “não é possível superar a crise sem crescimento econômico”; que o sistema capitalista é bom e a questão é apenas corrigir alguns erros pontuais, mas sem tocar em sua estrutura, isto é, na propriedade privada e na conseqüente divisão entre capital e trabalho.
Como não poderia ser diferente, para manter o trabalhador alienado, para perpetuar a extração da mais-valia, isto é, para sugar o sangue do trabalhador, não lhes restam outros recursos senão entorpecê-los, investir na sua divisão, fomentar a competição, reforçar o individualismo e alimentar ilusões e fantasias nos processos eleitorais, que não passam de um modelo falido de democracia. Além disso, desviam a atenção do essencial, apresentando algumas “personalidades” como se fossem verdadeiros salvadores, na tentativa de induzir os trabalhadores a acreditar que são estes iluminados que resolverão seus problemas.
Mas os fatos são teimosos e citando novamente, Marx, “o critério de verdade de uma teria é seu desdobramento na prática” e, na prática, o que vemos é a fome, a exploração e opressão empurrando às massas para a luta. Ondas de protesto de trabalhadores sacodem o mundo inteiro. Greves, manifestações, ocupações de fábricas, duros enfrentamentos com a polícia, crescimento de rebeliões populares, incremento da luta anti-imperialista nos mostram a falência do capitalismo.
Para nós do MOCLATE, o imperialismo, atual fase do capitalismo, não se livrará de suas crises, mas também não sucumbirá apenas por elas. Precisa ser derrubado e destruído como modo de produção historicamente superado pela força organizada dos explorados e oprimidos. E qual o papel dos trabalhadores da educação neste processo? Ficar como meros expectadores, repetindo aos alunos que estudem, lutem, batalhem que irão vencer? Ou ir a fundo na teoria científica da sociedade e disputar hegemonia com a ideologia burguesa que afirma ser o individualismo o caminho para vencer na vida?
Os Desafios dos Trabalhadores em educação diante da crise do capitalismo
Das diferentes e sucessivas crises pelas quais os trabalhadores foram passando, já é possível superar ilusões e extrair algumas conclusões:
1. Que de fato o Estado e o Parlamento são meios de a burguesia se locupletar ou seja, “o executivo do Estado moderno não é mais do que um comitê para administrar os negócios coletivos de toda a classe burguesa” (MARX e ENGELS, Manifesto Comunista). Portanto, não dá para continuar acreditando nas ideologias, nas mentiras e nas falsas promessas da classe dominante que aponta o jogo eleitoral como único caminho possível de participação popular. O MOCLATE nega categoricamente o princípio de que as eleições representam um espaço de conquista para os trabalhadores.
2. Que a burguesia só se interessa pelos trabalhadores enquanto estes trabalham e produzem lucros e que só têm trabalho enquanto aumentam o capital, conseqüentemente se não houver pressão, através da organização combativa dos trabalhadores jamais conseguiremos qualquer conquista.
3. Que mesmo quando estamos empregados, ganhando maiores ou menores salários, não deixamos de ser explorados e que, neste sistema, nossa condição sempre será manipulável.
4. Que é preciso fortificar nossa organização classista, continuar erguendo nossas bandeiras históricas de lutas pela sobrevivência tais como: fim da exploração de nosso trabalho, luta pelo direito a estudar, por escolas decentes, por condições de trabalho dignas, por saúde de boa qualidade.
5. Que não podemos jamais nos acomodar, esquecendo que sem um basta final na dominação burguesa, sem destruir e superar essa condição de existência que carece de ilusões para encobrir o vale de lágrimas a que estamos submetidos, jamais conseguiremos viver em paz, gozando nossas vidas para além do trabalho fatigante que praticamos.
Diante de tal realidade e com tais desafios é que estamos nos organizando, precisamos construir a unidade e a identidade de classe. É com este objetivo que estamos construindo o MOCLATE; este é o princípio que nos une e pelo qual lutamos. Nossas metas vão para além dos resultados imediatos. Nossos horizontes confundem-se com a construção e consolidação de uma nova humanidade. Para tanto precisamos nos preparar, intelectualmente e politicamente, não nos iludirmos quanto à facilidade de realizar tamanha tarefa, mas também não nos conformamos em ver a realidade cruel e sangrenta da maioria do povo que sem ter o que comer, onde morar e como trabalhar sequer conseguem chegar à escola. Os que conseguem, na maioria dos casos, não tem vontade e nem motivação para qualquer aprendizado.
Não será normal nem eterna esta condição dos trabalhadores se estes se identificarem enquanto classe e como classe marcharem unidos rumo à destruição desse estado de coisas e à construção de uma nova sociedade. Uma sociedade onde a produção seja socializada e onde não haja nenhum tipo de desigualdade, onde haja condições de se educar e de se construir o novo ser humano, uma sociedade socialista.
Para os trabalhadores a única solução está na sua organização e na sua união. Só assim é possível barrar as privatizações, a corrupção e as reformas, quer sejam elas, a previdenciária, a trabalhista, a sindical, a universitária, ou qualquer outra, que, ao contrário do que propagandeiam, só visam aprofundar ainda mais a dor, o sofrimento e a miséria dos trabalhadores. Como forma de enfrentamento, o MOCLATE:
· apóia a organização e a construção da Greve Geral que unifique todos os trabalhadores e todas as lutas para por fim à sua exploração e sua dominação;
· defende e se coloca a disposição dos trabalhadores em geral para contribuir no debate sobre suas condições de vida, de exploração e sobre a dominação a que estão submetidos;
· busca se organizar defendendo a luta direta dos trabalhadores da educação para as conquistas de seus direitos econômicos;
· dispõe-se também a contribuir com a organização de outras categorias em seus locais de trabalho, nos bairros ou em qualquer outro lugar para enfrentar e destruir o capitalismo, lutando pela construção do socialismo.
Entendemos que a educação, para além de toda ideologia, para além de toda demagogia, deve cumprir com sua função social, qual seja, a de tornar acessível a todos os conhecimentos científicos e a cultura acumulada historicamente; desmistificar as ilusões ideológicas burguesas e possibilitar o acesso tanto aos bens intelectuais quanto aos produtos materiais que os conhecimentos propiciam. Para isso, há que se suprimir toda a influência da classe dominante sobre a educação; há que se construir um projeto de educação que esteja sob o controle da classe que trabalha e produz conhecimentos; Nosso compromisso é desmascarar o oportunismo e trabalhar pela construção da unidade da classe trabalhadora, apontando para a construção de uma nova humanidade.
Foz do Iguaçu, 13 de Junho de 2009
MOCLATE – Movimento Classista dos Trabalhadores em Educação
CECIPO – Centro de Educação Científica e Popular
quarta-feira, 24 de junho de 2009
A difusão da Ciência e a Escola Popular
A difusão do materialismo histórico-dialético
Atualmente no campo teórico e prático da educação verifica-se a hegemonia das pseudo-teorias “deflacionárias da verdade” (pós-modernas). Essas teorias primeiro negam a possibilidade de conhecer objetivamente a realidade, depois negam a possibilidade de conhecimento desta em sua totalidade e, por último, negam sua própria existência. Com bases filosóficas idealistas e empiristas, ou ambas, não passam, de fato, das formas da burguesia tentar “maquiar a realidade”, e, conseqüentemente, impedir a busca por formas objetivas de sua interpretação.
Afinal, se não se sabe como é a realidade, esta nunca poderá ser alterada, ou ainda, se esta não existe de forma objetiva, existem somente formas de enxergá-la e, se assim é, na realidade justifica-se como verdadeira qualquer tipo de interpretação. Num mundo como este, a escola vira local de “convívio social” e o professor mero “incentivador de aprendizagens”. As conseqüências são a organização de uma escola que prioriza o “cultivo de saberes e culturas”, em contraposição ao ensino do conhecimento científico acumulado pela humanidade. No limite, não há necessidade de professor, como exemplifica modalidades como o ensino à distância e coisas do gênero.
Evidentemente ao proletariado esta forma de pensar não serve, pois há a necessidade, para estes, de outro mundo. A escola que interessa ao proletariado, portanto, é aquela que se paute em outra visão, que parte do pressuposto que o mundo existe independentemente da sua consciência e que este tem que ser entendido objetivamente para também ser transformado. Para tanto necessita-se de conceitos científicos e da presença de professores(as) com o domínio de conceitos científicos que lhes permitam a realização de um trabalho consciente capaz de socializar as teorias científicas construídas ao longo da história.
Além da atuação no âmbito da escola institucional um outro possível e necessário campo de atuação para todos aqueles educadores progressistas, é a participação nos trabalhos de educação popular, através do desenvolvimento das escolas populares. O propósito destas escolas, sinteticamente falando, é, além da transmissão do conhecimento científico, a politização das massas trabalhadoras, a partir da elevação da sua consciência política e do incentivo ao trabalho coletivo, a cooperação mútua e a solidariedade, em contraposição ao individualismo tão presente na sociedade capitalista.
Concepção de Escola Popular
A sociedade em que vivemos é uma sociedade dividida em classes. De um lado estão os exploradores e de outro os explorados. O que move a sociedade é a luta de classes. Esta luta é pelo poder político e, no caso das classes exploradas, contra a exploração.
A educação sempre serviu à burguesia como forma de manter sua dominação. A história é contada como se o povo fosse menos importante nos acontecimentos e quem faz a história para a burguesia são os reis, os heróis, etc. Na nossa concepção são as massas que fazem a história e elas podem transformar tudo!
Uma escola popular deve servir ao povo, à classe trabalhadora. É ela que tudo constrói, e a ela deve pertencer o poder político. Servir a classe trabalhadora significa compreender o papel que esta tem na transformação da sociedade. Por isso na escola popular todo o trabalho voluntário não é visto de forma assistencialista. Entendemos que o que não deixou o trabalhador aprender a ler e escrever foi o sistema capitalista que o oprime e não quer que ele entenda a lógica do mundo e as saídas para a sua opressão.
A Escola Popular é, antes de tudo uma escola de politização. Entendemos que todo trabalhador tem consciência da exploração a que está submetido, mas deve elevar esta consciência e construir um mundo justo. Isto não será ação de nenhum “salvador da pátria”, mas do próprio povo em sua luta. Para isto, o povo precisa saber ler, escrever, interpretar, questionar, investigar, dominar toda a ciência. Para saber governar e não mais ser enganado.
A Escola Popular apóia-se principalmente em três princípios:
Apoiar-se nas próprias forças: Conforme diz a letra da Internacional Socialista, o hino internacional do proletariado, “façamos nós com nossas mãos, tudo o que a nós nos diz respeito”. Valorizamos todo apoio dado a nós por organizações de defesa dos direitos e interesses do povo. Entretanto, não permitimos qualquer interferência de governos, partidos politiqueiros ou empresas que oprimem o povo. Por isso buscamos nos manter através das nossas próprias forças, dos trabalhadores e dos que se colocam a seu lado.
Trabalho coletivo: Os operários são os que mais entendem o que é o trabalho coletivo, só que, nas fábricas, este trabalho é usado para dar lucros somente a que os explora. Na construção de tudo o que nos interessa devemos trabalhar coletivamente, pois, desta forma somos capazes de fazermos mais e melhor. Muitas Escolas Populares estão e serão construídas e é a força do coletivo que garantirá seu êxito.
Coordenação coletiva: A Escola Popular não pretende ser uma escola dirigida somente por coordenadores e educadores, impondo decisões de “cima para baixo”. Como queremos uma nova sociedade, onde haja uma verdadeira democracia, pretendemos começar a construí-la já. Por isso, defendemos uma direção coletiva, com a participação de educandos e educadores.
Concepção de Ensino da Escola Popular
A Escola Popular ao expor sua concepção de ensino tem como fundamento que a origem de todo conhecimento existente provém da ação do homem, através do TRABALHO. Isto porque todo o conhecimento existente é fruto da ação do homem, principalmente do trabalhador, que é aquele que pratica as ações do conhecimento na natureza e no mundo. Esta idéia é a central para o desenvolvimento de qualquer prática de ensino que se desenvolva na Escola Popular, pois ao reconhecer que a fonte do conhecimento é das mãos do trabalhador, este deve ter uma escola que sirva aos seus interesses.
Na nossa sociedade existe uma divisão do conhecimento entre o teórico e prático. Esta divisão tem reflexos no mundo trabalho, onde aquele que detém o conhecimento teórico tem posições superiores aos que possuem somente o conhecimento prático. Porém, sem o conhecimento prático, o teórico não se efetiva; o que demonstra a importância da prática em todas as ações humanas. Um exemplo na construção civil é a relação do trabalho do engenheiro com os operários. Sem a prática dos trabalhadores o planejamento do engenheiro não é possível. Mas além de reconhecer o valor da prática, por meio do ensino o educador deve permitir que o educando perceba as formas de romper com algumas amarras existentes na nossa sociedade.
A partir da discussão sobre esta divisão entre a teoria e a prática, a Escola tem como desafio trazer para o ensino o exercício e o reconhecimento da prática do trabalhador. E este reconhecimento se dá no ensino pelos conteúdos a serem estudados e pela forma que o ensina, além da postura do professor de estar aliado à luta que os trabalhadores impulsionam.
Com relação aos conteúdos, estes devem se guiar por questionamentos como: Que conteúdo ensinar? Para quem ensinar? Quem aprende com quem? De que formar ensinar? Ao fazer estes questionamentos, e ter claro que o público da Escola Popular é de trabalhadores, o ensino deve atender as demandas dos educandos, que além de ler e escrever é ter acesso ao conhecimento cientifico e a técnica de aplicação deste.
Atualmente no campo teórico e prático da educação verifica-se a hegemonia das pseudo-teorias “deflacionárias da verdade” (pós-modernas). Essas teorias primeiro negam a possibilidade de conhecer objetivamente a realidade, depois negam a possibilidade de conhecimento desta em sua totalidade e, por último, negam sua própria existência. Com bases filosóficas idealistas e empiristas, ou ambas, não passam, de fato, das formas da burguesia tentar “maquiar a realidade”, e, conseqüentemente, impedir a busca por formas objetivas de sua interpretação.
Afinal, se não se sabe como é a realidade, esta nunca poderá ser alterada, ou ainda, se esta não existe de forma objetiva, existem somente formas de enxergá-la e, se assim é, na realidade justifica-se como verdadeira qualquer tipo de interpretação. Num mundo como este, a escola vira local de “convívio social” e o professor mero “incentivador de aprendizagens”. As conseqüências são a organização de uma escola que prioriza o “cultivo de saberes e culturas”, em contraposição ao ensino do conhecimento científico acumulado pela humanidade. No limite, não há necessidade de professor, como exemplifica modalidades como o ensino à distância e coisas do gênero.
Evidentemente ao proletariado esta forma de pensar não serve, pois há a necessidade, para estes, de outro mundo. A escola que interessa ao proletariado, portanto, é aquela que se paute em outra visão, que parte do pressuposto que o mundo existe independentemente da sua consciência e que este tem que ser entendido objetivamente para também ser transformado. Para tanto necessita-se de conceitos científicos e da presença de professores(as) com o domínio de conceitos científicos que lhes permitam a realização de um trabalho consciente capaz de socializar as teorias científicas construídas ao longo da história.
Além da atuação no âmbito da escola institucional um outro possível e necessário campo de atuação para todos aqueles educadores progressistas, é a participação nos trabalhos de educação popular, através do desenvolvimento das escolas populares. O propósito destas escolas, sinteticamente falando, é, além da transmissão do conhecimento científico, a politização das massas trabalhadoras, a partir da elevação da sua consciência política e do incentivo ao trabalho coletivo, a cooperação mútua e a solidariedade, em contraposição ao individualismo tão presente na sociedade capitalista.
Concepção de Escola Popular
A sociedade em que vivemos é uma sociedade dividida em classes. De um lado estão os exploradores e de outro os explorados. O que move a sociedade é a luta de classes. Esta luta é pelo poder político e, no caso das classes exploradas, contra a exploração.
A educação sempre serviu à burguesia como forma de manter sua dominação. A história é contada como se o povo fosse menos importante nos acontecimentos e quem faz a história para a burguesia são os reis, os heróis, etc. Na nossa concepção são as massas que fazem a história e elas podem transformar tudo!
Uma escola popular deve servir ao povo, à classe trabalhadora. É ela que tudo constrói, e a ela deve pertencer o poder político. Servir a classe trabalhadora significa compreender o papel que esta tem na transformação da sociedade. Por isso na escola popular todo o trabalho voluntário não é visto de forma assistencialista. Entendemos que o que não deixou o trabalhador aprender a ler e escrever foi o sistema capitalista que o oprime e não quer que ele entenda a lógica do mundo e as saídas para a sua opressão.
A Escola Popular é, antes de tudo uma escola de politização. Entendemos que todo trabalhador tem consciência da exploração a que está submetido, mas deve elevar esta consciência e construir um mundo justo. Isto não será ação de nenhum “salvador da pátria”, mas do próprio povo em sua luta. Para isto, o povo precisa saber ler, escrever, interpretar, questionar, investigar, dominar toda a ciência. Para saber governar e não mais ser enganado.
A Escola Popular apóia-se principalmente em três princípios:
Apoiar-se nas próprias forças: Conforme diz a letra da Internacional Socialista, o hino internacional do proletariado, “façamos nós com nossas mãos, tudo o que a nós nos diz respeito”. Valorizamos todo apoio dado a nós por organizações de defesa dos direitos e interesses do povo. Entretanto, não permitimos qualquer interferência de governos, partidos politiqueiros ou empresas que oprimem o povo. Por isso buscamos nos manter através das nossas próprias forças, dos trabalhadores e dos que se colocam a seu lado.
Trabalho coletivo: Os operários são os que mais entendem o que é o trabalho coletivo, só que, nas fábricas, este trabalho é usado para dar lucros somente a que os explora. Na construção de tudo o que nos interessa devemos trabalhar coletivamente, pois, desta forma somos capazes de fazermos mais e melhor. Muitas Escolas Populares estão e serão construídas e é a força do coletivo que garantirá seu êxito.
Coordenação coletiva: A Escola Popular não pretende ser uma escola dirigida somente por coordenadores e educadores, impondo decisões de “cima para baixo”. Como queremos uma nova sociedade, onde haja uma verdadeira democracia, pretendemos começar a construí-la já. Por isso, defendemos uma direção coletiva, com a participação de educandos e educadores.
Concepção de Ensino da Escola Popular
A Escola Popular ao expor sua concepção de ensino tem como fundamento que a origem de todo conhecimento existente provém da ação do homem, através do TRABALHO. Isto porque todo o conhecimento existente é fruto da ação do homem, principalmente do trabalhador, que é aquele que pratica as ações do conhecimento na natureza e no mundo. Esta idéia é a central para o desenvolvimento de qualquer prática de ensino que se desenvolva na Escola Popular, pois ao reconhecer que a fonte do conhecimento é das mãos do trabalhador, este deve ter uma escola que sirva aos seus interesses.
Na nossa sociedade existe uma divisão do conhecimento entre o teórico e prático. Esta divisão tem reflexos no mundo trabalho, onde aquele que detém o conhecimento teórico tem posições superiores aos que possuem somente o conhecimento prático. Porém, sem o conhecimento prático, o teórico não se efetiva; o que demonstra a importância da prática em todas as ações humanas. Um exemplo na construção civil é a relação do trabalho do engenheiro com os operários. Sem a prática dos trabalhadores o planejamento do engenheiro não é possível. Mas além de reconhecer o valor da prática, por meio do ensino o educador deve permitir que o educando perceba as formas de romper com algumas amarras existentes na nossa sociedade.
A partir da discussão sobre esta divisão entre a teoria e a prática, a Escola tem como desafio trazer para o ensino o exercício e o reconhecimento da prática do trabalhador. E este reconhecimento se dá no ensino pelos conteúdos a serem estudados e pela forma que o ensina, além da postura do professor de estar aliado à luta que os trabalhadores impulsionam.
Com relação aos conteúdos, estes devem se guiar por questionamentos como: Que conteúdo ensinar? Para quem ensinar? Quem aprende com quem? De que formar ensinar? Ao fazer estes questionamentos, e ter claro que o público da Escola Popular é de trabalhadores, o ensino deve atender as demandas dos educandos, que além de ler e escrever é ter acesso ao conhecimento cientifico e a técnica de aplicação deste.
segunda-feira, 25 de maio de 2009
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Para entrar em contato e obter mais informações sobre o MOCLATE, escreva para moclatenacional@yahoo.com.br ou luizzfreitas@yahoo.com.br.
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